Então entrego meus dedos ao teclado, minha mente, a escritura desse texto mas, minha mão e minha mente tinham outras intenções para esta manhã. Ambas queriam sentir seu corpo. Minha mente, é mais atrevida, ela queria o seu cheiro, a sua barba espinhando minha face, minha boca queria o seu hálito de macho viril. Meu corpo procurava o seu obviamente concebido para encaixar no meu até ao ponto de nada verter entre ambos ou verter sim, a água fresca do chuveiro que escorreria da minha vontade por entre os pelos, e eu cheia de sede mas, surgiu ante as minhas vontades, esse texto que lhe cala as palavras dentro ainda antes que se formem: letras avulsas passarão a correr nela como linfa. Esse texto como que me salvasse, como se detivesse toda energia dessa manhã... e meus lábios buscam os teus pelas tarde e noites a fora, a frio a quentura de um orgasmo...quem sabe meus lábios.... ficou o cio, das palavras que fabrico para ti Fabrício. --------------------------------------------------------------------
Quero-te para o resto de todas minhas vidas
Hoje perambulei pelo mundo. Em meu escritório visitei Paris pela milésima vez, fui aos Jardins de Luxembourg, no Palácio de Versailles, ah e o Museu de Arte Moderna do Pompidou e por fim fui mais uma vez no Aeroporto Charles de Gaulle. Imaginei que eu era dr. Francisco Marcelo e visitei nos Estados Unidos em Cambridge, Massachusetts a Universidade de Harvard. Meus pensamentos percorreram o impossível. Porém foi em Estocolmo que encontrei a esperança de Harvard, foi em Estocolmo que encontrei as imagens de um cemitério e retomei a esperança a eternidade adiada. Amei a paisagem sombria e a morte. A morte me convida pros seus braços e eu a quero. Que ela chegue num dia como outro qualquer ou após um exaustivo dia de trabalho. Vagueei por essa paisagem com cheiro de vida e aspirei aquele ar de além e pensei se morta eu estivesse me alegraria com essa idéia, pensei instantaneamente em você. Ah! lembrei o nosso último encontro, que ficaria marcado pra sempre porque seria mesmo o último. Prometi-te tantas coisas enquanto fazíamos amor, enquanto conferíamos os dedos um do outro, enquanto você afagava meus cabelos. Deixamos nossos celulares tocando juntinho na cabeceira, alguém nos buscava insistentemente mas, nós não ouvíamos qualquer som que não fosse os sons das nossas respirações em dueto. E esqueço-me de que sou alguém, quero-te para o resto de todas minhas vidas, agora é tarde, vou deitar-me em um desses túmulos e levar pra sempre teu gozo e tu lembrará sempre de mim e virá lê e relê meus escritos como se quisesse me ressuscitar e me trazer de volta pra nossos suores. _______________________________________________
Detenho-me nos pequenos detalhes
Pergunta se vou ficar em pé, mas, eu sou a dona da casa, peço desculpas e o convido pra entrar. Sento-me ao lado dele, vem um cheiro dele acordar meu desejo. Vem seu cheiro me convidar... Eu fico com o pensamento parado, mas ele não percebe, os homens não percebem nada. Ele e eu ficamos calados, mas, algo em nós grita. Não sei por que nós nos resistimos. Ele pede para ver meu livro recém-publicado, levanto-me até a escrivaninha. Ele me segue como me farejando, sinto a sede dele, que me devora também. Ele aludi, não vou me demorar. Entendo, mas finjo demitir-me. Volvo-me e entrego em suas mãos o exemplar ele finge deixar cair e segura-me a cintura apertando. Eu também escorrego como o livro, e seus olhos falam tudo, mas ele não percebe que seus olhos me falam. Os olhos dele me dizem tudo o que a boca não consegue. Olho para o lado enquanto o despes, enquanto despes teus anseios e pensamentos. O livro já não diz nada no chão do quarto da escrivaninha que ficou como pretexto. Tudo me leva a crer que ele acabou de chegar do deserto e me quer mais, muito mais. Sou água, não essa água que não mata a sede, apenas fere. Enérgico ele me encurrala contra a mesa da sala de jantar, agarra-me pelos ombros e deita-me na mesa sem. Nossas línguas se misturam e nossas pernas também, e a mesa parece suportar o peso dos pensamentos dele que me falam e ele não percebe. Há um vaso com flores que ele me deu no dia anterior, ele pega uma flor e espalhas as pétalas sobre meu ventre.... E a sua língua visita todos os lugares obscuros do meu pensamento e do meu corpo e em cumplicidade nossas pernas e braços e membros se encaixam no convexo como ensaiados para mais perfeita sincronia. E não cansamos de nos desejarmos e nos amarmos naquela tarde quente em minha casa. Nas tardes dos dias seguintes fico lembrando nos dois, detenho-me nos pequenos detalhes como de uma mordidinha na orelha e depois uma pontinha da língua molhada com o se pedindo desculpas. Fico querendo você de novo e cada vez como se fosse a última. ______________________________________________ ...mas ainda hoje encontrei uma criatura do tempo ...":